Maria: Serva do Amor

 

“No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus foi convidado para o casamento e os discípulos também. Ora, não havia mais vinho, pois o vinho do casamento havia acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: ‘Eles não tem mais vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou’. Sua mãe disse aos serventes: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Havia ali seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. Jesus lhes disse: ‘Enchei as talhas de água’. Eles as encheram até  borda. Então lhes disse: ‘ Tirai agora e levai ao mestre-sala’. Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho – ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água – chamou o noivo e lhe disse: ‘Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!”

Jo 2, 1-10

 

Neste trecho bíblico vemos a narração do primeiro milagre de Jesus narrado no evangelho de São João. Aqui temos uma das mais belas retratações da disposição de Maria em ajudar. Maria sabia da falta do vinho porque justamente naquela festa ela estava servindo aos demais, auxiliando. Para nós este é um grande exemplo de humildade e doação de amor, “Quem quiser ser o primeiro que seja o último”.

Maria por ser a mãe do senhor, poderia normalmente tomar atitudes diferentes desta. Sendo a mãe do Salvador ela poderia se vangloriar, e se achar tão importante a ponto de não precisar ajudar mais aos outros, pois sendo a mãe do Salvador já tinha alcançado a “glória na terra”. Antes, porém, preferiu ser sempre um modelo de serva e escrava do Senhor, servindo aos mais necessitados, como em sua visita a prima Isabel, como narrado no evangelho de São Lucas 1, 39-45. Seu belo exemplo de disponibilidade e acolhimento da vontade de Deus, já demonstrada em Lucas 1, 26-38 na Anunciação, repete-se agora em uma festa de casamento.

Outro aspecto muito importante nesta passagem é o clamor de Maria para Jesus seu filho, que a chama de Mulher, pois ela é muito mais que sua mãe, ela é A MULHER exemplo perfeito de Mãe e serva fiel de Deus. Segundo Angel L. Strada em seu livro Maria: um exemplo de mulher, as expressões : “que queres de mim” e “mulher” usadas por Jesus, de maneira alguma representam uma rejeição brusca e impessoal da parte de Jesus com Maria, embora no primeiro momento soem assim. A grande dificuldade neste momento entre Jesus e Maria é que ela num gesto de caridade e compaixão com a situação dos seus semelhantes interpela a Jesus antecipar os planos do Pai. Como o próprio Jesus esclarece em seguida dizendo: “Minha hora ainda não chegou”.

Assim Jesus mostra que não está atordoado por Maria lhe pedir algo, mas por aquela Mulher representando todo aquele povo, vir solicitar algo pra Ele, num momento em que não deveria agir. Ora a vida de Jesus é guiada pela vontade do Pai, que o conduz até um acontecimento culminante: sua morte e ressureição. Ali realizará a transformação definitiva do homem e  selará a Nova e Eterna Aliança. Não está em suas mãos adiantar essa “hora”. É o Pai quem a determina.

O mais importante é que a partir desta fala Maria aparecerá em diversos momentos com Jesus, mas não dirá uma palavra sequer, pois a orientação maior de Maria aos servos, que hoje somos nós, é a mais rica possível: Fazei tudo o que Ele vos disser. “Maria não mais falará, já disse o essencial. […] Como “Mãe” na Igreja, ora e intercede para que seus filhos abram incessantemente o coração às palavras sérias mas libertadoras, do Senhor Jesus. Pois são ‘Palavras de vida eterna’ (Jo 6,68).” (Cf. Livro Maria em Caná e junto à Cruz de A. M. Serra.)

Hoje, os servos das bodas somos nós. Teremos a coragem de acolher seu convite? Sejamos, pois, corajosos para tomarmos Maria como nossa Mãe, e assumir de fato suas poucas, mas essenciais palavras que nos orientam como seguir o Cristo. Neste mês de Maria rendamos graças às bênçãos que Maria tem derramado sobre seus filhos e filhas e por sua poderosa intercessão junto a seu Filho por nós.

Maria, mãe da Igreja.

Rogai por nós.

Seminarista Marcell Santiago

Uma semana mais que santa

Uma semana mais que santa

 

Obviamente a semana santa se aproxima mais uma vez.

E você estimado amigo irmão, vê chegar ao fim esta caminhada penitencial que você se propôs a fazer nestes quarenta dias.

Pois bem que tal revisar um pouco como foi sua caminhada.

Você conseguiu ser fiel ao seu propósito?

Quantas vezes caiu? E se ainda está fiel ao que se propôs como conseguiu obter um autocontrole sobre as situações que ameaçavam seu propósito quaresmal?

E aí avaliou? Que nota você daria pra você até o momento?

Bom independente se caiu ou ainda permanece fiel a sua penitência, você querido irmão é convidado mais uma vez (retirar esta expressão pois ela já é utilizada mais a frente) a mergulhar no grande mistério da semana santa mais uma vez. E aqui você reviverá desde a agonia de Nossa Senhora à tristeza e dor da morte de Jesus pela cruz.

Diante deste mistério você pode traçar um paralelo do quanto você está conseguindo enfrentar suas dificuldades na vida, suas tentações e seus atos desesperançosos.

Celebrar a semana santa é antes de mais nada é (retirar este verbo) viver na carne aquilo que Cristo viveu por amor a todos nós. É mergulhar no sentimento de medo, tristeza, e agonia por saber que se enfrentará uma grande Cruz até a ressureição.

Viver esta semana buscando rezar e rememorar o grande ato de amor de Cristo por nós, é reconhecer a importância de tal ato salvífico e redentor.

Antes de minha vivência da semana santa sempre procuro assistir ao filme Paixão de Cristo de Mel Gibson. Um filme que me ajuda a rezar muito, pois consigo entrar e mergulhar profundo naquilo que estarei vivenciando nos próximos dias. Aconselho a quem tiver a oportunidade assistir também este filme.

Outro fator importante é que você olhe para seu trajeto quaresmal e perceba que as práticas alcançadas na quaresma devem ser sempre buscadas, pois elas fazem de você, uma pessoa mais livre e despojada das coisas supérfluas e terrenas.

Você também pode identificar como conseguiu vencer muitas tentações e pecados. E aplicar estas mesmas táticas para outras situações que não te propiciarão crescimento.

Para viver esta semana bem, é importante rezar e se esforçar ao máximo para estar unido a este mistério, até mesmo na sua casa, com orações, silêncio e jejuns. Para que no Domingo da Ressureição o Cristo possa encontrar abertura no seu coração, lhe tirar do sepulcro e da vida velha.

Para que Ele venha a ressuscitar em sua vida, aproveite esta semana mais que santa e limpe seu coração, seu interior, e prepare ele para a festa da Ressureição do Cristo em sua vida.

Marcel Santiago

Só Converte aquele que busca viver a Palavra de Deus

Outro dia percebi uma coisa que me tirou a paz e tomou meus pensamentos por muitos instantes. Estou lendo um livro que discorre sobre o anjo caído e suas ações para nos fazer perder-nos.

O mais interessante foi uma passagem em que li: que dizia que foi através da inveja que o mal entrou no mundo.

Se primeiramente Satanás não invejasse o posto de Deus como sendo seu Criador, muita coisa seria melhor neste mundo. E mesmo em Adão representando outra vez a inveja de querer ser como Deus, de querer conhecer o que Ele conhecia, ou seja, em querer ser igual a Deus demonstra como o mal praticado o fez ser expulso do paraíso.

Bom o que mais me intriga até aí é a inveja. Sentimento este que corrói o ser humano e desencadeia muitos outros sentimentos e acontecimentos penosos. Na verdade quem nunca presenciou seu próprio corpo ser tomado de uma vontade de ser como aquele outro?

Ser mais bonito, ter mais altura, ter uma bela namorada, ter um carro ou ser tão bom e se destacar em alguma área como aquele irmão mais velho, ou mesmo nossos amigos, ou conhecidos.

O fato é que na mente humana este elemento de inveja pode ou não ser alimentado e direcionado para outros lugares. Mesmo porque o mais terrível não é ter este sentimento, pois há muitos de nossos sentimentos que são gerados sem nosso consentimento ou vontade. Mas o efeito deles sobre nós ou sobre os outros podemos dominar.

Confuso? Vamos tentar explicar de modo mais claro. Você poderia involuntariamente sentir inveja de seu primo porque ele conseguiu uma boa namorada, tem um bom emprego e está bem na vida.

Diante deste sentimento você poderia: Desejar-lhe os parabéns por tantas vitórias e transformar o sucesso dele em motivação para que você pudesse alcançar resultados satisfatórios para sua vida também, mesmo que seja em outras áreas.

Ou ainda, você poderia torcer para que a vida dele dê errado e tentar imitá-lo a fim de mostrar pra ele que você é melhor, ou até mesmo tentar difamá-lo, destruí-lo ou contribuir de alguma forma para isso. Ou ainda alimentar uma certa apatia pelas suas conquistas, desdenhando os méritos de seu amigo e mover-se sempre com o sentimento: “quero mais que você se dane com suas vitórias”.

Evidentemente a primeira opção é evangélica em relação a segunda, mas o fato de você não poder controlar tais sentimentos não te faz ser uma pessoa melhor ou pior do que outras, mas antes porém, o que te faz mal é direcionar seus sentimentos para ações autodestrutivas ou alter-destrutivas.

Ora pode então se indagar: Como posso então possuir a capacidade de direcionar bem meus sentimentos de modo que eu não passe por tais situações.

Evidentemente o autocontrole é um constante exercício, eu particularmente sempre tento exercer isso com meus irmãos de comunidade. Eu bem sei que muitas vezes algumas reações não parecem ter mudado para eles, mas consigo identificar os grandes passos que dei ao longo de todo este processo de autodomínio.

Isto também é um elemento muito importante a autopercepção, de saber se avaliar sem pautar-se única e exclusivamente nas opiniões exteriores. No entanto tanto o autocontrole, quanto a autopercepção vem daqueles que buscam um conhecimento de si e uma aceitação de suas realidades.

MAS, vejam bem eu disse uma aceitação com sua realidade e não uma conformação com sua realidade. Nós, todos os dias somos chamados a nos transformar à luz do evangelho. É preciso todos os dias abandonar o homem velho em busca de um novo ser humano, melhor, humanizado, caridoso, fraterno e santo. Esta mudança é proposta a nós pelos evangelhos, pelas próprias palavras de Deus, palavras estas que querem de nós nada mais que ações que nos tornem mais livres, felizes e santos como Ele o é.

A imitação de Deus em querer ser santo como Ele o é, não é inveja, é proposta de vida Dele a nós. Evidentemente será sempre um ideal que não será completamente concretizado neste plano imanente, mas a completude de nosso ser e de nossa busca se dará na eternidade onde estaremos face a face com Ele.

O exercício para alcançar isto é simples comece a ler aos poucos a palavra de Deus, aos poucos tente vive-la e assim quando menos perceber estará com sua vida semelhante aquilo que Cristo propõe a nós.

Seminarista Marcell Santiago

 

Marcell Santiago

Meu nome é Marcell Santiago.

Tenho 24 anos.

Sou seminarista da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos).

Ingressei no seminário em 2007 no seminário menor, mais conhecido como seminário Dehonista, localizado na cidade de Lavras-MG.

Cursei 3 anos de Filosofia pela Faculdade São Luiz, em Brusque-SC.

Atualmente resido no Seminário São Judas Tadeu, Terra Boa-PR no qual estou vivenciando a etapa do Postulantado.

Dentro de minha escolha de vida traço todos os dias diante de Deus, o objetivo de ser cada vez mais uma pessoa aberta ao processo formativo, juntamente com minhas ações e a palavra de Deus que com absoluta certeza me auxiliam no meu crescimento , e na busca pela vivência da Santidade na vocação que fui chamado a responder com amor.

Um pouco mais de mim…

Acredito que todos têm uma história vocacional, e muitos dos inúmeros vocacionados ao sacerdócio tem uma similaridade em suas trajetórias: “desde pequeno foi católico, ia a missa com a família, rezava-se nas refeições, foi coroinha, etc…”, sim muitas são as semelhanças entre elas.

No entanto a minha história vocacional, foge aos “padrões” que possibilitam uma partida para o seminário. E tentarei descrever um pouco desta longa trajetória neste pequeno texto.

Desde pequeno fui criado por minha avó materna, que era uma mulher muito piedosa, porém ela não era Católica, minha avó se dizia Testemunha de Jeová. Nas costumeiras reuniões desta Igreja minha avó sempre me levava junto. Lembro-me somente dos lugares belos e como as pessoas se vestiam, mas não consigo me recordar dos ensinamentos. O que jamais me esqueço é do grande esforço que minha avó, uma mulher muito bondosa, fazia para me ensinar a rezar ao Pai do Céu e pedir sempre que ele iluminasse meus passos e minha vida. Com 11 anos resolvi abandonar a religião das Testemunhas de Jeová. E me tornei um católico de estatística, ou seja, aquele que se diz católico pra não dizer que não tem religião. Minha mãe separada de meu pai desde meus 7 anos, também não era das mulheres mais religiosas, mas acreditava em Deus e se dizia católica embora jamais a visse ir a uma missa sequer.

Aos 14 anos fui convidado por uma amiga para ir a uma missa, aceitei o convite e fui pela primeira vez a uma missa, durante a celebração permaneci calado, porém no instante da transubstanciação, meu coração disparou e comecei a chorar lágrima após lágrima, no momento da distribuição da Eucaristia (neste período eu nem sabia que aquele pão que estava sendo distribuído era o próprio Corpo de Cristo) eu já estava chorando compulsivamente e só me passava uma única coisa na mente: “Eu quero ser como aquele homem”. “Este homem” era o padre que estava celebrando na ocasião. Passado a missa, acreditei ter sido algo de momento, passado meses comecei a namorar e me recordo que sempre que participava de retiros carismáticos e de outros tipos eu sentia aquele aperto no peito e me vinha aquela mesma vontade.

Aos 18 anos decidi procurar um padre que me orientou a conhecer o seminário menor de Lavras-MG, ao conhecer hesitei muito, mas fui vencido pelo apelo de Deus, que ecoava nas mais diversas pessoas e circunstâncias naquele lugar.

No ano posterior entrei para o seminário, minha avó e minha mãe se tornaram católicas praticantes, e dentre as muitas coisas que fui obtendo conhecimento durante a caminhada, uma delas foi perceber que não existia só um tipo de seminário como eu pensava, mas inúmeros carismas e formas de se viver o sacerdócio.

Não obstante quando me veio esta percepção, eu já tinha sido inundado pelo carisma de amor e reparação de Padre Dehon e já sabia bem o que aquele tipo de seminário procurava: uma vida religiosa e comunitária, o amor aos mais necessitados, a disponibilidade em ajudar, a luta pelos mais pobres e injustiçados socialmente, a reparação das vidas estilhaçadas, etc… tudo isso já ecoava muito vivo em mim e era desejado por meu coração. Levar amor a quem precise, era exatamente isso o que eu queria.

Possivelmente pode alguém me dizer, que eu não tive porque entrar nos dehonianos, porém digo que neste momento de minha ignorância neste saber, me orientou a mão de Deus, levando o meu coração para o lugar que ele mais ansiava no seu íntimo. Se eu não tive motivos pra entrar, então era preciso procurar motivos pra permanecer, pode-se pensar. No entanto, digo que isso nem foi preciso, pois o coração de Jesus foi e continua sendo meu maior motivo de estar aqui.