A simplicidade do profeta de Deus

As duras palavras de Jeremias contra o culto exterior e supersticioso do Templo de Jerusalém valeram-lhe a acusação de blasfêmia contra o Senhor e um processo perante os juízes do povo reunidos, por haver anunciado a destruição do Templo e da cidade. Porém, a palavra do profeta Jeremias é um convite a viver a essência da religião: a conversão interior e a observância da Lei e da Palavra de Deus, elementos e condições determinantes de uma presença renovada do Senhor Deus entre o seu povo (Cf. Jr 26,1-9).

Deus através da boca do profeta anuncia ao seu Povo que se o mesmo continuar a violar a aliança, não a integrando na vida, será destruído o Templo, pois ele não é mais sinal da sua Aliança, mas o sinal de uma falsa segurança por conta do pecado do povo, e a cidade de Jerusalém, como consequência, deixará de ser lugar Santo e passará a ser sinal de maldição divina. Jeremias é ameaçado de morte por trazer esta mensagem do Senhor Deus, ao falar contra o Templo, quando no fundo, sua mensagem trata-se de um resgate dos valores da Aliança, revestida de uma verdadeira honra prestada com santidade de vida ao local da “habitação de Deus” (cf. Jr 7,1-11).

A mesma cena acontece com Jesus quando Ele expulsa do Templo os vendilhões e todos os outros que fazem do Templo de Jerusalém um centro de comércio e cultura. Ao falar contra a postura daqueles que estão no Templo, o Cristo reafirma: “A casa de meu Pai é casa de oração!” (Cf. Mt 26,59-61).

 Hoje compreendemos bem a postura de Jeremias e de Jesus. Um templo construído, edificado por pedras ou tijolos não conta absolutamente nada, “não vale de nada”, se os seus frequentadores não são o autêntico Templo de Deus, no qual é acolhida sua Palavra e Ele é invocado com coração puro e lhe é oferecida uma existência íntegra.

Nós somos Igreja, Templos vivos de Deus vivo, por isso devemos todos os dias questionar se enquanto tal somos nós sensíveis às exigências divinas, se não pomos uma falsa segurança em práticas religiosas exteriores, enquanto desprezamos o mais e o melhor, que está em nós: a Habitação de Deus. Honramos a Deus não com palavras, mas com gestos, honrando em nós o Templo Vivo que é sua Habitação.

No Templo “Igreja” se reúnem aqueles que escutam o Cristo Jesus, os membros de sua família. A Eucaristia nos ajuda a vivermos esta realidade de Templos vivos de Deus ao mesmo tempo em que nos exige um severo exame de vida.

 Conhecemos a cena do Evangelho onde vemos que os conterrâneos de Jesus não entendem o seu ensinamento, duvidam de sua sabedoria e se escandalizam com o seu modo de agir, pois o conheciam como o “filho do carpinteiro” e de Maria. A consequência é que Cristo ali “não pode fazer muitos milagres”, não pode anunciar o Evangelho e sua verdade. O escândalo que se dá por parte dos nazarenos era comum: a não aceitação do profeta (Cf. Mt 13,54-58)

Se formos olhar bem para a realidade de nossas comunidades veremos que nós somos sempre assim; não aceitamos um profeta, a não ser que ele tenha algo espetacular que chame a atenção e se imponha, deixando de lado a sua coerência de vida, a sua retidão de espírito, e as obras autenticas de justiça e santidade que pratica e ensina, como fizeram com Jeremias e Jesus.

Portamos-nos assim porque somos superficiais, não vamos a fundo à vida de “tais profetas”, e nos metemos a conhecedores da vida dos outros “profetas”. Acolhemos os profetas espetaculosos de fora e rejeitamos os coerentes e doces profetas que Deus suscita em nosso meio. Assim fizeram com Jesus Profeta, assim se continua a fazer com Jesus Profeta presente no próximo.

Infelizmente isto é comum em meio aos homens. Quantos são os maridos que se cansam da mulher, porque ela é “boa”, mas não brilhante, não chama atenção. Quantas são as esposas que desprezam seus maridos, porque ele é “legal”, porém sem prestígio ou presença, não chama atenção. Quantos são os membros de comunidades que desprezam os pequenos e grandes profetas e sua obra, porque são pessoas comuns, não chamam atenção.

O evangelho nos ensina que seguir a Cristo é procurar não a glória externa, mas a claridade interior; Esta é a motivação do profeta, que tal como Jesus é rejeitado porque se mostra “um dentre os outros”. Jesus passa ao nosso lado “nos outros” e é nestes que ele quer ser reconhecido e acolhido.

Não há mais milagres porque são impossíveis, eles não existem porque não existe a fé, aquela fé que deveríamos colocar na simplicidade da Obra de Deus e depositamos naqueles que em “nome de Deus” são espetaculosos e somente chamam a atenção.

Os profetas autênticos são simples. Os cristãos autênticos são simples. Deus é simples. Ser simples é ser como Jesus. Quem assim vive é no mundo sinal profético do Reino de Deus, por isso nos esforcemos para acolhermos com abertura de coração e simplicidade aqueles que Deus levanta como profetas em nosso meio, para que Dele seja a maior glória e honra sempre!

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa

Sexta feira da 17ª. Semana do Tempo Comum (Ano Par) – 03.08.2012

A eficácia da oração

Ezequias era um dos maiores descendentes de Davi. Foi acometido por uma doença que o pôs em perigo de morte. Será o profeta Isaias que lhe confirma a gravidade do mal que havia lhe acometido. Naturalmente a fé de Ezequias se abalou e também abalada ficou a convicção de uma retribuição terrena como manifestação da justiça de Deus, segundo a mentalidade da época. Diante da enfermidade Ezequias se dirige a Deus, sem adiantar pedidos preciso, mas apenas lembrando sua conduta íntegra. Em outras palavras, na sua oração ele confia em Deus e a ele se abandona (cf. Is 38,1-6.21-22.7-8)

Ezequias tem sua oração atendida pelo Senhor. De fato, a oração é eficaz, quando feita de coração sincero, com extrema delicadeza, com confiança e abandono, mesmo que por detrás haja lágrimas, sofrimento e pranto incontido a acompanhá-la. Ezequias não pede expressamente sua cura, mas é claro em sua oração este ardente desejo de ser curado, quando ele diz de modo simples: “Senhor, recorda-te de que passei a vida diante de ti com fidelidade”. Deus interpreta a prece de Ezequias e lhe responde com a cura, pois Ele sabe o que realmente nosso coração deseja e necessita.

Um dia nós aprendemos a rezar. Quem nos ensinou foi o Cristo Jesus, que nos mostra que é preciso pedir a Deus com simplicidade de coração, do mesmo modo como faz a criança com seu pai ou sua mãe. Na oração pedimos os bens e dons espirituais, as coisas materiais, e não desagrada de modo algum a Deus que lhe peçamos também a saúde do corpo, quando necessário, pois Ele sabe que nós, como Ezequias, somos apegados à vida.

Porém, a oração é boa quando ela não pretende ligar Deus aos nossos caprichos ou interesses. Ela sempre deve ser baseada na confiança e no abandono a Deus, pois Ele sabe o que é melhor para nós. Devemos crer em seu amor, nos encontrar no centro de seu plano de salvação, que sempre é diferente e melhor que os nossos planos.

A oração está intimamente ligada ao amor. Porque não aprenderam a amar, muitos cristãos nunca aprenderam a orar como convém. Por isso Jesus nos diz no Evangelho: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7,11). Ele não dá somente porque Ele é bom, mas sobretudo porque Ele nos ama. Nisto consiste a realidade da oração: amar como o Senhor Deus nos ama.

“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate a porta será aberta” (Mt 7,7-8). A oração é súplica: é preciso antes pedir, se quisermos receber. Quem pede mostra confiança naquele a quem pede, este é o valor da oração: confiança. Quem procura não se conforma em ficar sem aquilo que perdeu, esta é a condição da oração: perseverança. Quem bate à porta procura ser acolhido e certamente agradecerá depois, esta é a motivação da oração: gratidão.

A oração tem uma eficácia infalível, pois Jesus promete que toda prece será ouvida. Porém, nem tudo aquilo que pedirmos nos será dado, pois as vezes sem saber pedimos a Deus pedras (inutilidades) e serpentes (coisas nocivas), o Pai só nos dará coisas boas, o que é bom para nós, o que nos ajuda a viver a sua vontade, pois Ele quer que sejamos bons como Ele é bom e fazermos o bem a todos os homens: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles” (Mt 7,12).

A oração necessita ser perseverante. Não existe uma técnica infalível de se fazer pressão sobre Deus, para que Ele nos atenda. Isto nada tem a ver com a alma da oração. Ora bem quem ora com confiança e abandono em Deus, pois a oração afirma e reafirma a bondade de Deus e a certeza de que Ele é sempre inclinado a nós, Ele nos ouve e nos ouve sempre com alegria, e na mesma alegria dispõe sobre nós os resultados da nossa oração, mais cedo ou mais tarde, Ele nos atende e nos assegura da sua fidelidade.

Pouco a pouco, orando sem nunca parar, chegaremos a tal contato com Deus que em nossa prece estará sempre presente aquela súplica mais profunda: “Seja feita a tua vontade!”.

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa

Em um olhar, a salvação

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O tema de João 8,21-30 é o da partida próxima de Jesus, em relação à fé e a salvação. Os interlocutores são os judeus.

Os judeus compreendem que a morte de Jesus pode estar próxima, uma vez que Jesus fala de sua partida para um lugar onde eles não poderão ir, o que levam a levantar a hipótese de suicídio por parte de Jesus, deixando de perceber que a causa da morte de Jesus é a própria incredulidade deles, da recusa diante da revelação sobre quem de fato é Jesus, da não aceitação do fato que Jesus é o Filho de Deus, o enviado do Pai para fazer a vontade dele e viver em plena comunhão com ele. Alguns judeus creram e a semente do Reino foi lançada, mas muitos não creram, resultando na morte de Jesus.

Os judeus perguntam a Jesus: “Quem és tu?”. A resposta virá após Cristo ser elevado à cruz e á glória: “Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que Eu Sou”. Ao mesmo tempo em que Cristo revela sua divindade, revela também sua contínua dependência do Pai na revelação e na prática. Muitos creem que Cristo é o Filho, o Servo obediente em tudo ao Pai.

A elevação de Jesus na Cruz é a consumação da nova criação de Deus. No sentido de que a humanidade é “elevada” à participação da vida divina. Estar com o Pai e fazer o que é do seu agrado, é a nossa vocação por excelência.

Ao contemplarmos o Cristo preso à Cruz é impossível não pensar no olhar cheio de confiança de quem se voltava para a serpente no deserto para obter a cura, pois aquele olhar era uma vida voltada para a salvação (Cf. Nm 21,4-9). É impossível também não pensar no olhar de quantos no Calvário contemplavam Jesus erguido entre o céu e a terra para a salvação do mundo. É impossível não pensar nos olhares que diariamente olham para o crucifixo e agradecem ao Pai por tamanho gesto de amor que nos levou à salvação.

Não podemos deixar de falar do olhar do Cristo, que do Alto da Cruz, no Calvário, pousou sobre todos e cada um dos presentes, um olhar que naquele momento abraçou toda a humanidade e continua hoje a olhar-nos, no desejo de cruzar o seu olhar com o nosso olhar, para que a nós seja manifestada a riqueza infinita do seu amor.

O olhar de Jesus é um olhar rico que assume a vida no concreto de suas manifestações, e que não pousa em vão sobre aqueles que se voltam para ele na fé e no amor.

Que o olhar do Cristo Jesus nos ajude a caminhar, esperar e perseverar rumo à salvação definitiva.

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa

Não Desista

Quando nada deu certo e você já tentou todas as alternativas,
não se desespere. Deus proverá uma solução.
ELE É UM DEUS FIEL E TE GUARDARÁ DE TODO MAL.

Momentos ruins não são eternos!
São como tempestades, só duram por um momento!
Olhe para trás e veja quantas coisas piores você já  passou e superou!
Algumas vezes as tribulações acontecem em nossa vida para nos amadurecer.
Portanto ANIME-SE.

Quando estiver triste, olhe para o céu e veja quão grande é!
Se Deus foi capaz de criar o céu, pode também resolver os seus problemas…
que são mínimos perto de um obra tão grande!
SEUS PROBLEMAS NÃO SÃO
MAIORES QUE DEUS.

Faça como os triatletas das Olimpíadas,  mesmo não conseguindo chegar
em primeiro, lutam para chegar até o fim!
Portanto não desista dos seus ideais.
LUTE ATÉ O FIM, NÃO DESISTA
NO MEIO DO CAMINHO,
DIGA EU VOU VENCER!

Se estiver triste, chore! Alivie a alma!
Jamais deixe que a tristeza  tome conta de você!  Jesus fala:
“ALEGRA-TE! TENDE BOM ÂNIMO
QUE EU SOU CONTIGO!”

Busque a Deus de todo o seu coração!
Lembre-se que buscar a Deus  tem que ser uma busca
constante, diária.  Deus tem a solução para todos os seus problemas!
Para Deus nada é impossível !!!
TENHA UMA VIDA
DE COMUNHÃO COM DEUS!

Tenha amigos, nunca em quantidade, mas em qualidade!
Busque amigos que te acrescentem pessoal e espiritualmente! Se eles nada te acrescentarem…
AFASTE-SE!!!
AS MÁS COMPANHIAS
CORROMPEM OS BONS COSTUMES!

Tenha sonhos!
É nos sonhos que Deus age
e revela o seu infinito poder.
NUNCA DEIXE DE SONHAR!
TENHA OBJETIVOS!

Reme contra maré!
No decorrer da sua vida, você encontrará pessoas
que irão te jogar  “água fria”!!! Irão falar que você é incapaz …  que é impossível!
Dirão que aquilo que você tanto almeja não é para você.
NÃO DESISTA!
O DEUS QUE SERVIMOS
É O SENHOR DO UNIVERSO.

Tenha a certeza que dias melhores virão
e tudo tem um propósito na nossa vida!
Nada é por acaso.
ENTREGA O TEU CAMINHO AO SENHOR,
CONFIA NELE E O MAIS ELE FARÁ !

(Desconheço o autor)

Maria: Serva do Amor

 

“No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus foi convidado para o casamento e os discípulos também. Ora, não havia mais vinho, pois o vinho do casamento havia acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: ‘Eles não tem mais vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou’. Sua mãe disse aos serventes: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Havia ali seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. Jesus lhes disse: ‘Enchei as talhas de água’. Eles as encheram até  borda. Então lhes disse: ‘ Tirai agora e levai ao mestre-sala’. Eles levaram. Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho – ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água – chamou o noivo e lhe disse: ‘Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!”

Jo 2, 1-10

 

Neste trecho bíblico vemos a narração do primeiro milagre de Jesus narrado no evangelho de São João. Aqui temos uma das mais belas retratações da disposição de Maria em ajudar. Maria sabia da falta do vinho porque justamente naquela festa ela estava servindo aos demais, auxiliando. Para nós este é um grande exemplo de humildade e doação de amor, “Quem quiser ser o primeiro que seja o último”.

Maria por ser a mãe do senhor, poderia normalmente tomar atitudes diferentes desta. Sendo a mãe do Salvador ela poderia se vangloriar, e se achar tão importante a ponto de não precisar ajudar mais aos outros, pois sendo a mãe do Salvador já tinha alcançado a “glória na terra”. Antes, porém, preferiu ser sempre um modelo de serva e escrava do Senhor, servindo aos mais necessitados, como em sua visita a prima Isabel, como narrado no evangelho de São Lucas 1, 39-45. Seu belo exemplo de disponibilidade e acolhimento da vontade de Deus, já demonstrada em Lucas 1, 26-38 na Anunciação, repete-se agora em uma festa de casamento.

Outro aspecto muito importante nesta passagem é o clamor de Maria para Jesus seu filho, que a chama de Mulher, pois ela é muito mais que sua mãe, ela é A MULHER exemplo perfeito de Mãe e serva fiel de Deus. Segundo Angel L. Strada em seu livro Maria: um exemplo de mulher, as expressões : “que queres de mim” e “mulher” usadas por Jesus, de maneira alguma representam uma rejeição brusca e impessoal da parte de Jesus com Maria, embora no primeiro momento soem assim. A grande dificuldade neste momento entre Jesus e Maria é que ela num gesto de caridade e compaixão com a situação dos seus semelhantes interpela a Jesus antecipar os planos do Pai. Como o próprio Jesus esclarece em seguida dizendo: “Minha hora ainda não chegou”.

Assim Jesus mostra que não está atordoado por Maria lhe pedir algo, mas por aquela Mulher representando todo aquele povo, vir solicitar algo pra Ele, num momento em que não deveria agir. Ora a vida de Jesus é guiada pela vontade do Pai, que o conduz até um acontecimento culminante: sua morte e ressureição. Ali realizará a transformação definitiva do homem e  selará a Nova e Eterna Aliança. Não está em suas mãos adiantar essa “hora”. É o Pai quem a determina.

O mais importante é que a partir desta fala Maria aparecerá em diversos momentos com Jesus, mas não dirá uma palavra sequer, pois a orientação maior de Maria aos servos, que hoje somos nós, é a mais rica possível: Fazei tudo o que Ele vos disser. “Maria não mais falará, já disse o essencial. […] Como “Mãe” na Igreja, ora e intercede para que seus filhos abram incessantemente o coração às palavras sérias mas libertadoras, do Senhor Jesus. Pois são ‘Palavras de vida eterna’ (Jo 6,68).” (Cf. Livro Maria em Caná e junto à Cruz de A. M. Serra.)

Hoje, os servos das bodas somos nós. Teremos a coragem de acolher seu convite? Sejamos, pois, corajosos para tomarmos Maria como nossa Mãe, e assumir de fato suas poucas, mas essenciais palavras que nos orientam como seguir o Cristo. Neste mês de Maria rendamos graças às bênçãos que Maria tem derramado sobre seus filhos e filhas e por sua poderosa intercessão junto a seu Filho por nós.

Maria, mãe da Igreja.

Rogai por nós.

Seminarista Marcell Santiago

A Ressurreição e Ascensão de Jesus Cristo ao céu

INTRODUÇÃO:

No Domingo de Páscoa o Senhor ressuscitou como tinha predito, aparecendo a Maria Madalena, aos Apóstolos e discípulos. Ainda que a Sagrada Escritura não o diga, porque resulta evidente, devemos supor que apareceu em primeiro lugar a sua Mãe Santíssima.

A Ressurreição de Jesus Cristo é a festa das festas, o centro ou ponto de referência de todas as celebrações. É a Páscoa do Senhor, a passagem do Senhor, o triunfo definitivo de Deus entre os homens.

Depois de passar quarenta dias com seus discípulos, o Senhor subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. A Igreja celebra este acontecimento na festa da Ascensão do Senhor.

IDÉIAS PRINCIPAIS:

1. A Páscoa é a festa mais importante do ano

A festa da Páscoa comemora o triunfo de Jesus Cristo ressuscitado. A Igreja a celebra com tanta solenidade, porque é o ponto alto da realização de nossa Redenção, a confirmação da nossa fé.

Efetivamente, Jesus Cristo -com sua morte- nos livrou do pecado e nos reconciliou com Deus, e por sua ressurreição nos abriu as portas do céu. A ressurreição de Jesus é o fundamento da religião cristã, porque é o argumento principal da divindade de Cristo e da verdade de nossa fé.

2. A ressurreição de Cristo é um fato histórico

A ressurreição de Cristo consiste em que sua alma voltou a se unir ao mesmo corpo, saindo vivo e vitorioso do sepulcro, para nunca mais morrer. Ainda que o acontecimento em si não tenha sido presenciado pelos homens, este milagre é um fato histórico que muitas testemunhas puderam comprovar porque, o que antes tinha morrido, aos três dias apareceu-lhes vivo e com seu mesmo corpo, agora glorificado.

Por sua vez, a ressurreição de Cristo transcende a história porque este milagre -não presenciado por homens- é objeto de nossa fé, atestado pelos anjos, por Cristo e pela Escritura, sendo a confirmação da divindade de Jesus e da verdade de sua doutrina; além disso, sua força salvífica abarca todos os homens e toda a história.

3. Jesus Cristo subiu ao céu e está sentado à direita do Pai

Esta afirmação de nossa fé significa que Jesus Cristo, transcorrido o tempo de sua vida na terra, ascendeu vivo e glorioso ao céu, onde -enquanto homem- compartilha o poder e a glória com o Pai e o Espírito Santo.

4. A Páscoa é o triunfo de Cristo

Durante a Semana Santa contemplamos grandes mistérios de amor e de dor: a quinta-feira santa está centrada no Mandamento novo de amor, na instituição da Eucaristia e do sacerdócio; a sexta-feira santa é a celebração da paixão e morte; o sábado santo é o dia da expectativa, cheia de recolhimento e esperança.

Nesta impaciente espera, a Igreja celebra a ressurreição durante a noite do sábado ao domingo: a Vigília Pascal. É a “noite sacratíssima”, na qual se acende o círio pascal, que simboliza a luz de Cristo; as leituras bíblicas rememoram as grandes intervenções de Deus com o homem, desde a criação até a redenção; renovam-se as promessas do batismo. O aleluiarepetido três vezes, o som dos sinos e os acordes do órgão, as luzes, as flores, tudo irrompe como a vida nova de Cristo ressuscitado.

5. Jesus Cristo vive e é o fundamento da vida cristã

O círio pascal recorda que a luz do mundo é Cristo, que morreu mas ressuscitou, e vive e permanece conosco na Igreja e na Sagrada Eucaristia. Assim como Cristo, que começou com sua ressurreição uma vida nova, imortal e gloriosa, assim também nós devemos ressuscitar espiritualmente, renunciando para sempre ao pecado e amando só a Deus e ao que nos leva a Ele.

A diferença fundamental que distingue A Jesus Cristo dos fundadores de outras religiões é que ninguém se proclamou Deus, Salvador do mundo e centro de todos os corações, como Ele o fez, apelando a seus milagres, sobretudo à ressurreição, como garantia de suas palavras e doutrina.

6. Cada domingo celebramos a ressurreição de Jesus Cristo

Jesus Cristo morreu na cruz na sexta-feira santa e ressuscitou no domingo da Páscoa da Ressurreição. Por isto chamamos dedomingo o dia do Senhor: porque neste dia, o Senhor ressuscitou. Mas é tão grande o milagre da ressurreição que não só celebramos este dia, mas todos os domingos do ano. Cada domingo nós cristãos vamos à Missa para celebrar a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

7. PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ

· Fazer muitas vezes ao dia, atos de fé na ressurreição de Cristo e de sua presença entre nós, especialmente na Sagrada Eucaristia.

· Viver o domingo como a celebração da ressurreição de Jesus Cristo.

Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela

Fonte: Livro “Curso de Catequesis” da Editora Palabra, España

Tradução: Pe. Antonio Carlos Rossi Keller

O Tempo de Deus

O tempo é algo que rege a nossa vida, pelo tempo nos organizamos. Nossas atividades humanas estão ordenadas ao tempo, um tempo determinado. Para nós cristãos, o nosso tempo deve ser determinado por Deus, cumprido de acordo com a sua vontade: o tempo Dele e não o nosso. Aceitar o tempo de Deus é aceitar o que Ele prepara e o que Ele permite.

O Eclesiástico nos ensina: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz”. (Eclo 3,1-8).

Tudo tem seu tempo. Por isso não podemos desperdiçar a vida com coisas inúteis. É preciso ter compromisso com o tempo, compromisso com Deus, compromisso com os irmãos e conosco mesmos.

Certa vez Jesus perguntou aos discipulos: “Quem sou eu?”. A resposta vem de Pedro: “Tu és o Cristo de Deus”. Jesus proíbe a Pedro e os outros que digam quem Ele é, porque primeiro é preciso compreender em que sentido Ele é o Cristo. A referência é para a “Hora da Paixão”. (Cf. Mt 16,13-20).

Jesus ora porque só na fé Ele pode ser reconhecido. Pedro, embora professe de modo grande a sua fé, também não compreende no primeiro momento a postura e a identidade de Jesus. Jesus adiante irá rezar para que Pedro confirme na fé os seus irmãos, para que compreendam o sentido de sua Paixão.

Isto acontece no tempo atual, nos dias de hoje, na Igreja, enquanto caminhamos na fé sempre temos a necessidade de sermos confirmados na fé por Pedro, no magistério, na Doutrina e na Palavra.

Jesus nos questiona: “Quem sou eu?” Ele espera de nós uma resposta pessoal, espera também que tomemos parte em sua Paixão e Morte. Espera ainda que cada um se comprometa com Ele e com sua obra.

O Salmista canta: “Vós fostes Senhor um refugio para nós” (Cf. Sl 42). De fato, Ele é nosso refúgio seguro, mas, Nele nos refugiamos porque realmente necessitamos de segurança ou porque simplesmente mascaramos o que realmente somos atrás da Santa Imagem de Deus?

Iniciamos a Semana Santa. Estamos vivendo um tempo especial, porque não dizer um tempo de Deus. Mais do que celebrações, a Semana Santa é marcada por este tempo de salvação, que nos convida a parar e penetrar nos mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Cristo Jesus.

Iniciamos a Semana Santa, iniciamos um tempo de retiro.

Esta santa semana é tempo de nos refugiar em Deus, por isso levemos nestes dias alguns pontos para a nossa reflexão:

  • Tenho vivido o tempo de Deus ou o meu?
  • Tenho me comprometido com a obra do Pai realizada na Paixão, Morte e Ressurreição do Salvador?
  • Quem é Jesus para mim?
  • Estou realmente aberto à ação de Deus na minha vida ou vivo desta ação apenas em momentos?

A Semana Santa é este tempo de reinflamar o carisma de Deus que há em nós (Cf. 2Tm 1,1-3.6-12). É tempo de nos unir à Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, com Ele morrer e ressuscitar para a vida nova, “porque Ele levou sobre si as nossas dores…”

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa

Uma semana mais que santa

Uma semana mais que santa

 

Obviamente a semana santa se aproxima mais uma vez.

E você estimado amigo irmão, vê chegar ao fim esta caminhada penitencial que você se propôs a fazer nestes quarenta dias.

Pois bem que tal revisar um pouco como foi sua caminhada.

Você conseguiu ser fiel ao seu propósito?

Quantas vezes caiu? E se ainda está fiel ao que se propôs como conseguiu obter um autocontrole sobre as situações que ameaçavam seu propósito quaresmal?

E aí avaliou? Que nota você daria pra você até o momento?

Bom independente se caiu ou ainda permanece fiel a sua penitência, você querido irmão é convidado mais uma vez (retirar esta expressão pois ela já é utilizada mais a frente) a mergulhar no grande mistério da semana santa mais uma vez. E aqui você reviverá desde a agonia de Nossa Senhora à tristeza e dor da morte de Jesus pela cruz.

Diante deste mistério você pode traçar um paralelo do quanto você está conseguindo enfrentar suas dificuldades na vida, suas tentações e seus atos desesperançosos.

Celebrar a semana santa é antes de mais nada é (retirar este verbo) viver na carne aquilo que Cristo viveu por amor a todos nós. É mergulhar no sentimento de medo, tristeza, e agonia por saber que se enfrentará uma grande Cruz até a ressureição.

Viver esta semana buscando rezar e rememorar o grande ato de amor de Cristo por nós, é reconhecer a importância de tal ato salvífico e redentor.

Antes de minha vivência da semana santa sempre procuro assistir ao filme Paixão de Cristo de Mel Gibson. Um filme que me ajuda a rezar muito, pois consigo entrar e mergulhar profundo naquilo que estarei vivenciando nos próximos dias. Aconselho a quem tiver a oportunidade assistir também este filme.

Outro fator importante é que você olhe para seu trajeto quaresmal e perceba que as práticas alcançadas na quaresma devem ser sempre buscadas, pois elas fazem de você, uma pessoa mais livre e despojada das coisas supérfluas e terrenas.

Você também pode identificar como conseguiu vencer muitas tentações e pecados. E aplicar estas mesmas táticas para outras situações que não te propiciarão crescimento.

Para viver esta semana bem, é importante rezar e se esforçar ao máximo para estar unido a este mistério, até mesmo na sua casa, com orações, silêncio e jejuns. Para que no Domingo da Ressureição o Cristo possa encontrar abertura no seu coração, lhe tirar do sepulcro e da vida velha.

Para que Ele venha a ressuscitar em sua vida, aproveite esta semana mais que santa e limpe seu coração, seu interior, e prepare ele para a festa da Ressureição do Cristo em sua vida.

Marcel Santiago

A necessidade de rezar sempre e nunca desistir…

À oração perseverante Deus inclina os seus ouvidos, ouve nossas súplicas, está atento ao nosso clamor e realiza a sua justiça, pois orar com perseverança é orar com fé. Deus não rejeita uma oração sincera e insistente. Ele não resiste à voz de seus filhos “em súplica”.

Um dos segredos da oração é a persistência. É preciso persistir, orar e orar, e orar mais. Na busca, na intimidade, no diálogo com Deus, nunca desistir, mas persistir. Às vezes Deus se faz silêncio, mas Ele permanece atento, ouvindo-nos, cuidando de nós e de nossas necessidades. Por vezes até esquecemos com o tempo o que necessitávamos, mas não no nosso tempo, no tempo Dele, sua vontade se realiza em nossa vida. Basta crer, esperar e orar com persistência.

A fé é elemento essencial para a oração, dispensa qualquer comentário. É possível orar sem fé? Então…

Outro ponto importante a considerar: A oração sincera e perfeita parte da Palavra de Deus, pois Ela comunica a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo crucificado e ressuscitado.

Ademais, toda oração deve ser inspirada por Deus, qualificar o cristão para a boa obra, ao mesmo tempo em que deve ser dever primordial de todo cristão, pois orar é falar com Deus, com ele ter amizade, intimidade.

A oração, a fé e a Palavra de Deus são tesouros inestimáveis destinados aos filhos de Deus a fim de que suas vidas sejam conformadas à Suprema Vontade do Pai. Como tesouros devem ser valorizados.

Vamos olhar para a nossa vida e sermos sinceros: Estamos valorizando a nossa vida de oração, a nossa fé e a Palavra de Deus? A resposta cada um deve encontrar dentro de si mesmo…

Ouso em lançar um questionamento ainda maior, que não sei se somos capazes de responder: “Quando Jesus voltar será que Ele encontrará a fé sobre a terra e homens e mulheres que valorizam a oração e a Palavra de Deus?”.

Que o Pai dos céus abra o nosso coração, para acolhermos a Palavra de seu Filho e nosso Salvador Jesus com amor e disponibilidade, certos de que a Palavra do Senhor é viva e eficaz, que tem poder para mudar os pensamentos e as intenções do coração e sempre será a fonte de inspiração de toda oração que deseja tocar o coração de Deus.

Que a oração nos leve além e que ela nos coloque sempre à disposição de Deus e nos leve a servi-lo de todo o nosso coração.

 

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa

Eis que farei coisa nova!

“Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.

Eis que farei coisa nova, e agora sairá a luz; porventura não a sabereis?

Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo”. (Is 43,18-19)

 A relação entre Deus e Israel foi marcada por amor e ingratidão. Da parte de Deus, o amor; da parte do povo, a ingratidão.

O profeta Isaias, na voz de Deus anuncia um reavivamento do anúncio de libertação: “eis que farei coisa nova”.

Estamos falando de uma salvação que deve ser esperada, pois o profeta estimula o povo a descobrir nos acontecimentos da vida, a intervenção de Deus, que está por realizar algo novo.

É um convite a superar o passado no hoje da graça de Deus.

“Eis que vou realizar uma coisa nova”, trata-se de uma nova criação que Deus faz despontar em nossas vidas.

Nossa vida é contínua, vivemos um dia após o outro, o que fizemos ontem, não podemos refazer hoje.

As dores e os erros antigos não podem ser remediados, a não ser pela cura divina… Para o cristão não existe a expressão: “Há se eu pudesse voltar ao passado…”

Deus quer fazer “obra nova”, ou seja, um novo dia, uma nova oportunidade de acertar e recomeça abrindo o nosso coração à cura, pois o dono dos nossos dias é Deus e Ele auxilia nossa caminhada rumo à eternidade.

O Senhor nos diz: esqueça as coisas antigas e lançai olhar sobre a Obra Nova – Ele faz novas todas as coisas! (Cf. Ap 21,5; Is 48,6).

Vivemos um tempo de renovação no Espírito Santo; Ele é derramado em nós e na Igreja, onde há dons, alegria e poder de Deus, as dores são curadas e as feridas cicatrizadas.

Um tempo em que devemos trazer a memória o que nos dá a esperança, e não um passado que nos feriu, acusou e nos causou dores.

A base desta nova criação é a confiança em Deus, o esperar em Deus, a confiança em sua fidelidade, e assim não remoer as feridas do passado, mas, viver no hoje da nossa história a graça e a misericórdia de Deus, que em nós, por meio do Cristo renova sua obra e salvação.

Alegria, pois, coisas novas estão para acontecer em nossas vidas, é preciso deixar para trás o que passou, deixar de viver o ontem, para se enxergar e viver o novo de Deus hoje.

Lamentar o passado impede que o renovo de Deus seja eficaz em nossa vida…

Por vezes carregamos o passado como uma mala sem alça ou um grande baú pesado… Temos coragem de abrir o baú? O que dele podemos e devemos jogar fora?

O ontem se foi, hoje somente a graça de Deus: “Este é o dia que o Senhor nos fez!”

É preciso mudar, sair do nosso conforto – não gostamos disso e por isso ficamos indiferentes, cegos e surdos.

O que você vai fazer com o ontem?

Solte o ontem. Ele serve somente para lições, para que não erremos amanhã. Solte o passado, viva o hoje de Deus. Cada manhã é um tempo novo e você, eu, nós, fomos chamados para algo novo em nossas vidas.

É tempo de ressurreição, de restauração, de renovação! O Espírito de Deus move tudo, coloca as coisas no lugar, reaviva o vale de ossos secos, abre vias no deserto, faz correr rios no deserto, tudo isso porque Ele não vive e nem age em função do ontem, mas em função do hoje de Deus!

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa