A eficácia da oração

Ezequias era um dos maiores descendentes de Davi. Foi acometido por uma doença que o pôs em perigo de morte. Será o profeta Isaias que lhe confirma a gravidade do mal que havia lhe acometido. Naturalmente a fé de Ezequias se abalou e também abalada ficou a convicção de uma retribuição terrena como manifestação da justiça de Deus, segundo a mentalidade da época. Diante da enfermidade Ezequias se dirige a Deus, sem adiantar pedidos preciso, mas apenas lembrando sua conduta íntegra. Em outras palavras, na sua oração ele confia em Deus e a ele se abandona (cf. Is 38,1-6.21-22.7-8)

Ezequias tem sua oração atendida pelo Senhor. De fato, a oração é eficaz, quando feita de coração sincero, com extrema delicadeza, com confiança e abandono, mesmo que por detrás haja lágrimas, sofrimento e pranto incontido a acompanhá-la. Ezequias não pede expressamente sua cura, mas é claro em sua oração este ardente desejo de ser curado, quando ele diz de modo simples: “Senhor, recorda-te de que passei a vida diante de ti com fidelidade”. Deus interpreta a prece de Ezequias e lhe responde com a cura, pois Ele sabe o que realmente nosso coração deseja e necessita.

Um dia nós aprendemos a rezar. Quem nos ensinou foi o Cristo Jesus, que nos mostra que é preciso pedir a Deus com simplicidade de coração, do mesmo modo como faz a criança com seu pai ou sua mãe. Na oração pedimos os bens e dons espirituais, as coisas materiais, e não desagrada de modo algum a Deus que lhe peçamos também a saúde do corpo, quando necessário, pois Ele sabe que nós, como Ezequias, somos apegados à vida.

Porém, a oração é boa quando ela não pretende ligar Deus aos nossos caprichos ou interesses. Ela sempre deve ser baseada na confiança e no abandono a Deus, pois Ele sabe o que é melhor para nós. Devemos crer em seu amor, nos encontrar no centro de seu plano de salvação, que sempre é diferente e melhor que os nossos planos.

A oração está intimamente ligada ao amor. Porque não aprenderam a amar, muitos cristãos nunca aprenderam a orar como convém. Por isso Jesus nos diz no Evangelho: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7,11). Ele não dá somente porque Ele é bom, mas sobretudo porque Ele nos ama. Nisto consiste a realidade da oração: amar como o Senhor Deus nos ama.

“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate a porta será aberta” (Mt 7,7-8). A oração é súplica: é preciso antes pedir, se quisermos receber. Quem pede mostra confiança naquele a quem pede, este é o valor da oração: confiança. Quem procura não se conforma em ficar sem aquilo que perdeu, esta é a condição da oração: perseverança. Quem bate à porta procura ser acolhido e certamente agradecerá depois, esta é a motivação da oração: gratidão.

A oração tem uma eficácia infalível, pois Jesus promete que toda prece será ouvida. Porém, nem tudo aquilo que pedirmos nos será dado, pois as vezes sem saber pedimos a Deus pedras (inutilidades) e serpentes (coisas nocivas), o Pai só nos dará coisas boas, o que é bom para nós, o que nos ajuda a viver a sua vontade, pois Ele quer que sejamos bons como Ele é bom e fazermos o bem a todos os homens: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles” (Mt 7,12).

A oração necessita ser perseverante. Não existe uma técnica infalível de se fazer pressão sobre Deus, para que Ele nos atenda. Isto nada tem a ver com a alma da oração. Ora bem quem ora com confiança e abandono em Deus, pois a oração afirma e reafirma a bondade de Deus e a certeza de que Ele é sempre inclinado a nós, Ele nos ouve e nos ouve sempre com alegria, e na mesma alegria dispõe sobre nós os resultados da nossa oração, mais cedo ou mais tarde, Ele nos atende e nos assegura da sua fidelidade.

Pouco a pouco, orando sem nunca parar, chegaremos a tal contato com Deus que em nossa prece estará sempre presente aquela súplica mais profunda: “Seja feita a tua vontade!”.

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa

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