LIBERTAÇÃO: DOM E COMPROMISSO

O Povo de Israel libertou-se quando nasceu como povo eleito por Deus, escolhido em vista de uma missão. Tal libertação foi de forma prodigiosa e não fruto de iniciativa humana. O Povo de Deus tem como base de sua vida e fé esta libertação que se desenrola em sua história como desígnio de salvação.

Para nós cristãos, a libertação é marcada pela Páscoa de Jesus, mais uma vez Deus que entra em nossa história nos dando seu Filho Único para a nossa salvação. Jesus nos salva na Cruz para sermos livres.

A celebração de libertação em ambos os casos se dá do mesmo modo, ou seja, pela profissão da fé: O Povo de Deus ao celebrar os prodígios de Deus que o libertou da escravidão com mão forte; os cristãos por Jesus ressuscitado pelo poder do Pai.

Cristo nos ensina, ao superar as tentações do demônio que a libertação antes de tudo é interior, pois se dá pela superação do egoísmo, da busca excessiva por bens, o poder de possuir, toda dominação, ilusões do mundo, sucesso, dinheiro e etc. (Cf. Mt 4,1-11).

O homem livre é aquele que é dono de si! Jesus foi dono de si no deserto…

Consciente disto o homem atinge a plena liberdade e pode se entregar e deixar-se guiar por seu LIBERTADOR.

Assim a tarefa da Igreja por meio das diversas pastorais, grupos e movimentos, membros comprometidos com a causa do Reino e, sobretudo pelo anúncio da Palavra e pregação deve ser sempre a libertação das forças do mal. Ao cumprir sua tarefa, a Igreja prepara para o Senhor um povo aberto ao Evangelho, e moldado de acordo com o mesmo, e leva os filhos de Deus ao caminho da plana liberdade.

Neste sentido, libertação é Dom de Deus aos homens e compromisso do homem com Deus.

Somos uma comunidade liberta?

A vida e a missão do Cristo é toda retratada de um modo imperceptível no episódio das tentações. Antes do ministério, Jesus é posto à prova, é levado ao deserto pelo Espírito Santo para ser tentado. Ele é tentado do início ao fim, e a tentação não acaba ali, ela “dá um tempo” e a prova maior que Jesus vai passar se dará na hora da Paixão e na Cruz do Calvário.

Na nossa vida somos tentados constantemente. Há horas que a tentação cessa e depois volta, e quanto mais nos fortificamos na fé, maior a tentação é; e vêem de todos os lados: da família, da escola, do trabalho, dos lugares que costumamos freqüentar, das pessoas com quem convivemos e o mais triste: até da comunidade cristã.

Apesar de ser Casa de Deus, a comunidade cristã está infestada do fermento de Satanás: fofocas, críticas, disputa de lugares, egoísmo, falta de partilha e caridade, mentiras, máscaras, desejos, honras, postos, e por ai vai… Quando ela deveria ser e viver plenamente o Testemunho da Palavra e da Ressurreição de Cristo.

A Eucaristia faz a Igreja como comunidade de amor e infelizmente a nossa fraqueza acaba dividindo e machucando a Igreja de Cristo ao invés de edificá-la.

O que ganhamos e o que a Igreja ganha quando se fala mal do irmão? Do sacerdote? Quando se cria situações de “leva e traz”? Será que é preciso prejudicar as pessoas simplesmente para se ter uma posição ou um nome perante a comunidade? Ou na verdade está presente o desejo de “fazer bonito” porque se “acha” que era este o dever de cristão e que na verdade são as pessoas que “enxergam coisas onde não existia nada demais”?

Nem nós nem a Igreja ganha nada com estas coisas, pelo contrário, a Igreja só perde, nós perdemos!

Por isso a insistência na pregação que liberta, para que livres das misérias deste mundo possamos já viver nesta terra as realidades do céu.

Pensando em tudo isso nos perguntamos: Qual o projeto de Jesus para a Igreja? Uma comunidade de tentadores ou uma comunidade de tentados?

Certamente o projeto do Cristo é uma “Comunidade de Fé”, que diariamente luta contra a tentação e vive livre de todo mal em seu amor…

Seria isso sonho? Utopia?

O nosso consolo é que na Eucaristia já vivemos esta realidade… E quanto mais recebermos a Eucaristia, mais livres e perfeitos seremos…

Daqui a poucos dias estaremos vivendo mais uma vez a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa, tempo de jejum e purificação, tempo de ascese e oração, tempo de privação e recolhimento, tempo de intimidade com Deus, tempo de mortificação e de fraternidade, tempo de partilha, tempo de sacrifícios, e, sobretudo, TEMPO DE LIBERTAÇÃO!

Peçamos ao Senhor que nos liberte de nossos males e nós nos esforcemos para isto, para que possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida livre e santa.

Vamos ao deserto com Jesus e com Ele voltemos repletos, cheios do Espírito Santo.

Seminarista Rodolfo Marinho de Sousa

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