Acolher o próximo, acolher a Cruz de Cristo!

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Em 2Rs 4,8-16, encontramos a narração de uma história edificante que demonstra que a hospitalidade dada ao justo se torna benção. Ao receber Eliseu, Sunamita enxerga nele um homem de Deus, um consagrado, um santo. Deus a abençoa manifestando-se doador da vida ao lhe prometer por meio do profeta um filho.

Junto ao tema da hospitalidade, Jesus deixa claro aos seus ouvintes as condições para segui-lo: desprendimento, cruz, disponibilidade total (Cf. Mt 10,37-42).

Embora pareçam distintos os dois temas: acolhimento e condições para seguir Jesus, eles estão estreitamente ligados.

Jesus nos fala de uma disponibilidade que vai até o martírio se for preciso: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem procura conservar a sua vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”. (Mt 10,37-39).

Diante desta exigência de Jesus encontramos dentro de nós um conflito entre o sim às exigências da graça de Deus e aos apelos do Espírito Santo e o não às seduções da carne, ao nosso egoísmo e comodismo.

Neste conflito se encontra o “carregar a cruz ao seguir Jesus”. Tomar a Cruz significa desapegar-se da própria vida para que a obra de Cristo e o Evangelho aconteçam. Tomar a Cruz também é sofrer, mas não é só isso, tomar a Cruz é abrir-se aos apelos da graça de Deus, tomar a Cruz é comprometer-se, é acolher esta graça em nossas vidas. Quem toma a sua cruz com este consciência vê a graça de Deus passar e ficar em sua vida.

O sofrimento faz parte do cultivo da nossa fé, porque para seguir Jesus é preciso passar pelo caminho estreito, neste caminho não passa muita coisa, só nós mesmos, por isso é preciso deixar para trás os nossos conceitos, achismos e desculpas que damos durante a vida a fim de justificar a nossa ausência e compromisso na obra de Cristo, para que ao percorrer este caminho possamos chegar à vida e sermos como Eliseu doadores de vida, lembrando que só quem tiver perdido a vida por Cristo a encontrará.

Talvez hoje este “perder a vida” não seja mais o martírio do corpo, mas, para aqueles que se colocam no serviço do anúncio do Evangelho das mais diversas formas é o martírio do coração e da vontade.

Há épocas em que servimos com vontade, há épocas que parece que estamos fazendo por obrigação. Deus não precisa de favores ou que nós cumpramos obrigações, Ele precisa de entrega, de compromisso, de disponibilidade.

Por sermos humanos, cheios de vontades e vaidades, para seguirmos o Cristo de modo eficaz teremos de martirizar o nosso coração, a nossa vontade e a nossa vaidade para não deixarmos a graça de Deus passar de modo que ela não fique em nossas vidas.

Isto é aceitar a Cruz!

Jesus ainda nos fala do acolhimento ao outro, ao próximo. Quem acolhe a graça de Deus, no seguimento a Jesus, o acolhendo também, acolhe o outro e mantém vivo o pedido de Jesus de amar-nos uns aos outros como Ele nos amou.

Quem acolhe o outro, acolhe a Cristo. Estamos falando de um acolhimento universal, o mesmo da Cruz que se traduz em um amor generoso e sem fronteiras. Acolher, sobretudo aqueles que não podem retribuir, assim como o Senhor fez conosco.

Quem pode retribuir o acolhimento de Jesus na Cruz? Tudo que fizermos será pouco diante do preço que foi pago para nos salvar.

Este acolhimento nos convida á renúncia, à disponibilidade, à gratuidade – condições para seguir Jesus, que devem abrir os nossos olhos para que possamos encontrar no outro, o próprio Cristo que não tem onde reclinar a cabeça (Cf. Mt 8,18-20), que tem fome, sede, é peregrino, está nu, é prisioneiro e bate à nossa porta e nos pede hospitalidade e auxílio (Cf. Mt 25,31-46).

Isto também é pegar a Cruz e seguir a Cristo!

Pelo Batismo fomos chamados a tornar Cristo presente no mundo. Ao acolhermos uns aos outros recebemos da parte de Deus a recompensa: “Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo. Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”. (Mt 25,40-42).

No Batismo descemos com Cristo ao sepulcro e com Ele ressuscitamos. Com Cristo estamos mortos para o pecado a fim de viver para Deus como filhos legítimos. Ao sermos inseridos em Cristo, morremos ao pecado, ao egoísmo, às seduções da carne, ressuscitamos para uma vida nova aberta à sua graça; vida que deve ser trilhada no seguimento de seus passos, levando a nossa cruz de cada dia, dispostos a colaborar com a sua obra e reconhecendo nos irmãos sua Imagem e Semelhança.

“Esta comunidade não acolhe só os conhecidos, amigos, parentes, mas nos une a todos como irmãos. Ao trocarmos o gesto de paz, manifestemos uns aos outros a alegria de tê-los aceitado como nossos amigos e de termos sido aceitos por eles. Cristo, presente no meio de nós, nos introduz na casa do Pai para formarmos com Ele uma só família”. (Missal Dominical, p.735)

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa


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One Response to Acolher o próximo, acolher a Cruz de Cristo!

  1. Murilo Machado says:

    Lindo!!!

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